“nenhuma criança fica para trás” Minimizar

Aderi recentemente a um comité federal sobre incentivos e responsabilidade no ensino público. É um aspecto das normas sociais e de mercado que gostaria de explorar nos próximos anos.  A nossa tarefa é reexaminar a política de “nenhuma criança fica para trás” e encontrar formas de motivar os estudantes, os professores, os administrativos e os pais.

Até agora, desconfio que os exames padronizados e os salários baseados no desempenho, vão provavelmente, empurrar o sistema de ensino das normas sociais para as de mercado. Os EUA já gastam mais por aluno do que qualquer outra sociedade ocidental. Será necessário aumentar ainda mais esse valor? Aplica-se a mesma consideração aos exames. Já são tão frequentes que não é provável que aumentássemos desse modo a qualidade de ensino.

Desconfio que uma das propostas possíveis pertença ao âmbito das normas sociais. Como aprendemos nas nossas experiências, o dinheiro só nos leva até certo ponto e são as normas sociais que podem marcar a diferença a longo prazo. Em vez de nos concentrarmos nos professores, nos pais e nas notas dos miúdos, nos salários e na competitividade, talvez fosse melhor instigar em todas as partes envolvidas um sentimento de propósito, missão e orgulho na educação. Para isso, não podemos certamente seguir o caminho das normas sociais. Os Beatles proclamavam “Can’t buy me Love” o que também se aplica ao amor ao ensino. Não é possível comprá-lo, e se o tentarmos fazer, podemos afugentá-lo.

Como melhorar, então o sistema de educação? Talvez devêssemos começar por repensar os currículos escolares e ligá-los de formas mais óbvias aos objectivos sociais (eliminação da pobreza e do crime, a defesa dos direitos humanos, etc.), tecnológicos (incentivar a conservação da energia, a exploração do espaço, a nanotecnologia, etc.) e os médicos (cura do cancro, diabetes, obesidade, etc.) que nos preocupam enquanto sociedade. Deste modo, os estudantes, os professores e os pais passam a compreender a importância mais ampla da educação, e sentir-se-ão mais motivados e entusiastas. Também nos devemos empenhar em fazer da educação um objectivo próprio e não confundir o número de horas que os alunos passam na escola com a qualidade do ensino que obtêm. Os miúdos entusiasmam-se com muitas coisas (por exemplo, o basebol) e, como sociedade, o nosso desafio é fazer com que queiram saber tanto dos laureados Nobel como sabem de basebol. Não pretendo sugerir dar início a uma paixão social pelo ensino seja fácil, mas se o conseguirmos fazer, o valor resultante seria imenso.


Extraído de “previsivelmente irracional (aprenda a tomar melhores decisões)”
de Dan Ariely, Amazon Best Books 2008

 


      

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